MAÇONARIA UNIVERSAL

 
Foto: Paulo Pampolin/Digna Imagem Foto: Paulo Pampolin/Digna Imagem
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Grão-Mestre do Grande Oriente Paulista, Durval de Oliveira, na sede da Potência Maçônica filiada à Confederação Maçônica do Brasil (COMAB)
 
De cima para baixo:
letra G, símbolo dos questionamentos. Estrela de 5 pontas: o homem perfeito. Coluna: símbolo dos opostos, da vida e da morte. Cadeiras no interior da Loja e chão em xadrez: a diversidade do globo e das raças, unidas pela Maçonaria.

Do anonimato à ação, contra a corrupção.

Manifestos da maçonaria do Rio e de São Paulo publicados nos jornais cobram punição aos corruptos.
Neste mês de setembro, o Grande Oriente do Brasil, instância superior dos Grandes Orientes estaduais, após ampla reunião em Brasília, decidiu conclamar a sociedade brasileira na luta contra a corrupção. "Devemos confiar e cobrar para que tudo se esclareça nas CPMIs, afirmando que, pelos fatos delituosos e a quebra de decoro parlamentar, os culpados sejam exemplar-mente punidos". O Grande Oriente Paulista foi além: "Conclamamos o povo brasileiro a exigir, dos seus representantes, que não se envolvam em manipulações, negociações e conchavos cujo objetivo é, quase sempre, de preservação pessoal em detrimento do povo e do país. Que os verdadeiros responsáveis sejam execrados". (TN)

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Manifestos da maçonaria do Rio e de São Paulo publicados nos jornais cobram punição aos corruptos.
Divulgação/Correios
Em sentido horário:

Colunas da sabedoria, força e beleza, princípios para a ação dos homens.

Escada de Jacó simboliza a ascensão dos que pela fé e esforço constroem
sua vida.

Aprendiz deve corrigir suas imperfeições para se tornar pedra polida e não bruta.

Esquadro, Nível e Prumo, ferramentas que evocam a retidão de conduta.

Depois de
O Código da Vinci, o código maçom.


O thriller religioso de Dan Brown, centrado no professor de simbologia de Harvard– Robert Langdon – a quem uma criptóloga da polícia francesa, Sophie Neveu, ajuda a desvendar o verdadeiro segredo do Santo Graal (que não seria um cálice, mas a prova das relações conjugais entre Jesus e Madalena) , promete se estender por mais um reduto envolto de mistério e segredos de Estado: a maçonaria.

O novo livro, a ser lançado em 2006, encerra a trilogia iniciada com Anjos e Demônios e seguida por O Código da Vinci. Ainda sem título definido, transportará os leitores ao Centro Governamental de Washington, projetado pelo arquiteto maçom Pierre Charles L´Enfante, em 1791.

O impacto da obra junto aos fãs do autor, que vendeu 25 milhões de cópias no mundo, motivou a editora Bertrand a desafiá-los sobre os próximos enigmas.
Em resposta, Frederick Zimmerman escreveu The Solomon Key, também sobre os mistérios da maçonaria.

   
Numa ação orquestrada, sob o olhar cúmplice de seus pares, age na disputa pela terceira cadeira mais importante do País uma instituição presente nos livros de história, mas ausente do noticiário atual: a Maçonaria. Em suas mãos figuram nada menos que 56 deputados, oito senadores e ao que se sabe (outros podem estar ocultos) dois candidatos à presidência da Câmara: os deputados Michel Temer (PMDB-SP) e Francisco Dornelles (PP-SP).

Juntos, os maçons militam em favor de um projeto de poder: garantir que ‘líderes de fato’ – preparados pela instituição e comprometidos com seus próprios valores e virtudes possam ocupar os mais altos cargos da administração pública e privada. Reunidos em uma sociedade restrita, onde o ingresso de um novo membro depende da indicação de outro, eles se fortalecem e se expandem sob o anonimato.

Ernesto Rodrigues/AE
Beto Barata/AE/15-09-05
Michel Temer (com Orestes Quércia), em encontro do PMDB em São Paulo, na última sexta-feira (topo): uma disputa entre 'irmãos' com Francisco Dornelles (acima, com o também candidato Thomaz Nonô).

Força – A força desta instituição milenar – que em sua lista de expoentes traz Mozart e Voltaire, entre outros – foi responsável por colocar no poder pelo menos 13 presidentes da República (o último teria sido Jânio Quadros), inúmeros vice-presidentes e presidentes de Câmara, e poderá determinar o desfecho de mais um governo – no caso o do próprio presidente Lula, que diante da ameaça entrou pessoalmente na articulação da candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-AL).

Os representantes da Maçonaria têm, por juramento, a obrigação de investigar a verdade até as últimas conseqüências (objetivo primordial da ordem), mesmo que isso implique em admitir o erro e cortar 'na própria carne'. "Temos irmãos em postos-chave. Podemos acompanhar tudo o que acontece. Há membros em todas as CPMIs, na Câmara e no Senado... eles estão alertas para que os nossos mandamentos não sejam transgredidos", afirma Durval de Oliveira, Grão-Mestre do Grande Oriente Paulista .

Expoentes políticos que já sentiram o peso do martelo maçônico foram o ex-vereador de São Paulo Hannah Garib e o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia (afastado). Os maçons evitam falar sobre o assunto mas punem com rigor qualquer tipo de transgressão comprovada entre seus pares. Desvios de conduta são investigados internamente e ajuizados por um tribunal especial– o que pode acabar em expulsão e total boicote social.

Bastião da ética – Guardiã da moral e da independência, a Maçonaria age com desenvoltura no Congresso Nacional e expande seus tentáculos toda vez que a credibilidade dos partidos é colocada em xeque. "Onde está um maçom há uma confiabilidade maior, pela instrução que ele recebe", explica Durval de Oliveira. Toda a estrutura interna da irmandade é constituída para que nenhum tipo de desordem passe despercebido. "Funcionamos como uma escola de líderes em várias etapas. Do zero ao grau 33 são necessários pelo menos 12 anos, formação equivalente a duas faculdades", explica.

Comenta-se, à boca pequena, que estaria em curso dentro da irmandade os primeiros trâmites para levar à julgamento o ministro da Fazenda Antonio Palocci. Há, porém, uma grande controvérsia entre seus pares. Muitos maçons afirmam desconhecer a participação do ministro. Outros defendem que o único vínculo de Palocci com a ordem estaria nos três pontinhos acompanhados em sua assinatura.

Eminência parda – Longe dos holofotes, um estado paralelo trabalha à parte, silenciosamente, com seu respectivo Executivo, Legislativo e Judiciário. No Brasil é formado por 180 mil maçons ativos – aqueles que têm pelo menos 70% de freqüência nas reuniões. Nesse contingente destacam-se sobretudo políticos, empresários, advogados, líderes religiosos e comunitários sob a égide do Grande Oriente do Brasil, a Grande Loja e o Grande Oriente Paulista. "Não somos quantitativos e sim qualitativos", explica o Grão-Mestre do Grande Oriente Paulista, cargo equivalente ao da presidência desta ordem no estado de São Paulo.

 
Do anonimato à ação, contra a corrupção.

Neste mês de setembro, o Grande Oriente do Brasil, instância superior dos Grandes Orientes estaduais, após ampla reunião em Brasília, decidiu conclamar a sociedade brasileira na luta contra a corrupção. "Devemos confiar e cobrar para que tudo se esclareça nas CPMIs, afirmando que, pelos fatos delituosos e a quebra de decoro parlamentar, os culpados sejam exemplar-mente punidos". O Grande Oriente Paulista foi além: "Conclamamos o povo brasileiro a exigir, dos seus representantes, que não se envolvam em manipulações, negociações e conchavos cujo objetivo é, quase sempre, de preservação pessoal em detrimento do povo e do país. Que os verdadeiros responsá-veis sejam execrados". (TN)
 
Dias, Viana, Raupp e Cavalcanti: partidos diferentes, mas com ideais comuns, na luta pela ética e a verdade. Assim como Covas.
'Bancada' de peso

A maçonaria sempre atuou nos bastidores da vida pública. Se não fosse apartidária, sua bancada teria a 4ª maior representatividade na Câmara (56), atrás apenas do PT, PMDB e PFL e seria a 5ª no Senado (8). Mas o que justamente lhe confere força é sua capilaridade, que se estende nas mais diversas esferas do poder municipal, estadual e federal.

À frente até mesmo dos programas partidários, se interpõem no cotidiano de um político maçom o compromisso com a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes. Tarefa que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) vem executando com maestria na CPMI dos Correios, apoiado direta ou indiretamente por 'irmãos' senadores como Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Tião Vianna (PT-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Voto alinhado – Recentemente, os deputados maçons votaram em bloco pela cassação de Roberto Jefferson – por compromisso com a ética exigida nas regras do decoro, num dos raros momentos em que alinharam o voto.

Ao contrário da bancada evangélica – maior em número de deputados (59) mas menor em senadores (4) – a maçônica não se une em torno de projetos mas sim de valores compartilhados. Mas apóiam governos considerados 'fortes e progressistas' – principalmente quando ostentam irmãos em seu comando – a exemplo dos ex-governadores Mário Covas (PSDB-SP), Espiridião Amin (PPB-SC) e Newton Cardoso (PMDB-MG). (TN)
 
Maçonaria sempre presente
Maçons marcaram presença nos principais momentos da história do país

Por Tsuli Narimatsu

Arquivo AE/DC
Jânio Quadros (1961), o último presidente da República maçom
Tela em óleo de Edward Savage retrata a família Washington em símbolos maçônicos: criança segura um compasso e os adultos apontam para o mapa da cidade formando
um triângulo.
D. Pedro I e José Bonifácio expoentes.

A participação da Maçonaria nos movimentos de emancipação dos povos de todos os continentes está amplamente registrada nos livros. O mesmo ocorreu no Brasil, onde a história do País confunde-se com a história desta irmandade. Os maçons foram a vanguarda dos movimentos pela independência, pela abolição da escravatura e pela proclamação da República.

Os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade (qualquer semelhança com a Revolução Francesa não é mera coincidência) nortearam os principais movimentos políticos desde o Brasil Colônia. José Bonifácio de Andrada e Silva e D. Pedro I (que ingressou na Maçonaria como príncipe regente e ao se declarar imperador proibiu as atividades maçônicas, por julgar que deveria ser tratado com reverência por seus irmãos maçons) deram impulso ao que futuramente deflagrou as principais revoluções no País.

Antes de D. Pedro I declarar às margens do Ipiranga "Independência ou Morte!", a independência política já havia sido proclamada dentro de uma loja maçônica (templo) na sessão de 20 de agosto de 1822, em assembléia geral da instituição, sob a presidência de Gonçalves Ledo. Não é à toa que a data tenha sido escolhida para homenagear a irmandade.

Conspiração – No interior das lojas maçônicas precederam todas as ‘conspirações’ em favor de movimentos como a Inconfidência Mineira (1788), as revoluções Pernambucanas (1817), a Confederação do Equador (1824), a Sabinada (1837) e a Revolução Farroupilha (1835-1845).

Escravidão – A Lei Áurea (1888), assinada pela princesa Isabel, foi o resultado de um longo empreendimento maçônico – que por princípios próprios defende a igualdade entre os homens ao lado da Ciência, Justiça e Trabalho. Ciência, à luz da Maçonaria, para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça para equilibrar e enaltecer as relações humanas e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente.

O próximo desafio foi a implantação de um Estado Republicano o que, sem dúvida, pode ser considerado o fato histórico mais importante para a Maçonaria no Brasil graças à presença de ilustres 'irmãos' como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant, Ruy Barbosa, Campos Salles, Quintino Bocaiúva, Prudente de Morais, Silva Jardim e outros mais.

Presidentes – O Brasil já teve 13 presidentes da República – tais como Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás, Washington Luis, Nereu Ramos... sendo o último deles Jânio Quadros. Outras personalidades de expressão na vida pública foram Américo Brasiliense, Benjamin Constant, Bento Gonçalves, Casemiro de Abreu, Cipriano Barata, Frei Caneca, Padre Diogo Antônio Feijó, Eusébio de Queiroz, Rangel Pestana, Francisco Gê de Acaiaba Montezuma, Hipólito da Costa, José da Silva Lisboa (Visconde de Cayru), José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, José Maria da Silva Paranhos (Juca Paranhos, Visconde do Rio Branco), Lauro Sodré, Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Nilo Peçanha, Nunes Machado, Quintino Bocaiúva, Giuseppe Garibaldi, Silva Jardim, Rangel Pestana, Rui Barbosa, Carlos Gomes e muitos outros

 
EUA, o imprimiu maçônico

Arquivo/DC
A sede do poder maçônico localiza-se nos Estados Unidos. Nenhuma nação foi tão fortemente comandada por ela nem ostenta uma irmandade tão numerosa. Foram maçons George Washigton, Lyndon B. Johnson, Gerald Ford e George Bush (pai do atual presidente). Bill Clinton pertenceu à "Ordem De Molay", para filhos de maçons. A maçonaria americana atualmente conta com mais de 15 mil lojas (templos) e um total de 4 milhões de filiados, ao que se somam um número idêntico de afiliados em organizações paramaçônicas (a Ordem da Estrela do Oriente para Mulheres de Maçons, a Ordem De Molay, a Ordem do Arco Íris e a Ordem de Job).

O enorme contingente de associados pressupõe um peso social e político decisivo e uma rede de ajuda mútua que alcança todos os quadrantes da vida norte-americana. Um presidente norte-americano pode até não ser maçom mas jamais irá contra os interesses da instituição.

O período mais ativo da ordem ocorreu durante a independência. Benjamin Franklin, um dos principais articuladores, recebeu apoio das maçonarias inglesa e francesa para a causa. Após a conquista, George Washington (1789-1797), desfilou o avental maçônico no lançamento da pedra fundamental da cidade que leva seu nome. A pintura em óleo de Edward Savage, The Washignton Family, retrata seu comprometimento. Os familiares sentados à mesa apontam os dedos para uma área triangular. No canto da imagem, o neto de Washington segura um compasso. (TN)
 
     
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